
81% DOS BRASILEIROS COM RESERVA FINANCEIRA INVESTEM SEU DINHEIRO
Preparação para o futuro ou gratificação imediata? Para que lado pendem os brasileiros? Ao que parece, grande parte dos consumidores não está disposta à disciplina e ao esforço que são necessários para economizar regularmente. De acordo com dados do Indicador de Reserva Financeira1 da CNDL e do SPC Brasil de agosto de 2018, que mede mensalmente a formação de reserva financeira pelos brasileiros, somente um terço dos entrevistados costuma constituir uma reserva de dinheiro (32,5%, aumentando para 35,0% entre os homens e 51,1% na Classe A/B), sendo que 21,4% poupam o que sobra do orçamento (aumentando para 34,1% entre as classes A/B) e 11,1% estipulam um valor a ser poupado previamente (aumentando para 17,0% na Classe A/B). Em contrapartida, 55,9% não poupam (aumentando para 64,4% na Classe C/D/E), sendo que 52,5% não têm nenhuma reserva de dinheiro (aumentando para 58,7% na Classe C/D/E), e 7,4% não poupam atualmente, mas têm alguma reserva.
Para a economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, isso se explica, em parte, pelo efeito do chamado ‘Viés do Presente’ e ‘Desconto Hiperbólico’: “muitas pessoas dão mais peso a eventos presentes e preferem satisfazer seus desejos de consumo mais imediatos – comprar um sapato ou uma roupa nova, saídas frequentes de lazer com os amigos, fazer uma viagem etc. – ao invés de maximizar o valor dos ganhos no futuro e reservar uma parte de seu dinheiro para a realização de projetos maiores. Elas vivem numa espécie de ‘eterno presente’, acreditando que o futuro é sempre algo distante e que é preciso ser feliz agora, sem dar importância às possíveis dificuldades do amanhã. Esse é um erro grave, pois em algum momento a conta chegará. Além disso, é extremamente arriscado não dispor de recursos para ocasiões emergenciais, como a perda do emprego ou um problema grave de saúde, por exemplo”.
Dentre aqueles que possuem reserva financeira, independentemente de investir ou não, 68,6% consideram-na importante para o caso de imprevistos com doenças, desemprego, etc. (aumentando para 82,1% entre os mais velhos), enquanto 67,4% almejam garantir um futuro melhor para a família (aumentando para 75,3% na Classe A/B) e 43,5% preocupam-se com a aposentadoria (aumentando para 67,0% entre os mais velhos e 59,3% na Classe A/B).
Uma vez constituída a reserva financeira, o passo seguinte é saber onde alocar os recursos. Praticamente sete em cada dez brasileiros que dispõem de recursos optam pela tradicional caderneta de poupança (69,3%, diminuindo para 60,7% entre os mais jovens), ao passo que 17,4% deixam na conta corrente (aumentando para 21,8% entre os homens e 22,6% na Classe A/B), 17,4% guardam em casa (aumentando para 27,7% entre os mais jovens e 22,2% na Classe C/D/E) e 12,3% preferem os fundos de investimento (aumentando para 25,6% na Classe A/B).
64,4% dos poupadores ouvidos guardam sua reserva financeira somente em modalidades de investimentos, isto é, rejeitam manter o dinheiro em casa ou na conta corrente. As modalidades consideradas nesse caso foram a caderneta de poupança, fundos de investimento, CDB, LCI/LCA, ações, tesouro direto, previdência privada, dólar, ouro, imóveis, etc. A sondagem ainda mostra que 17,3% deixam em casa ou na conta corrente mas também guardam em alguma modalidade de investimento (aumentando para 20,7% entre os homens) e 14,0% guardam somente em casa ou na conta corrente (aumentando para 24,9% entre os mais jovens e 18,7% na Classe C/D/E). No total, 81,5% dos brasileiros com reserva financeira investem em alguma modalidade de investimento.
E quais seriam as razões para guardar dinheiro em casa? 60,8% dos consumidores que agem dessa forma alegam que assim podem utilizar os recursos no momento em que precisarem, enquanto 28,9% acreditam que por ser pouco o valor, não valeria a pena colocá-lo no banco e 18,7% pensam que guardá-lo em casa é mais seguro.
Com tanta informação atualmente disponível a respeito de diversas modalidades de investimento, por que a opção por meios pouco ou nada rentáveis como a caderneta de poupança, conta corrente ou mesmo guardar o dinheiro em casa ainda tem participação tão expressiva entre os brasileiros que poupam? De acordo com o educador financeiro do Meu Bolso Feliz, José Vignoli, essa preferência passa pela facilidade e pela liquidez oferecidas: “No caso da caderneta de poupança, ela é muito procurada por ser um meio tradicionalmente simples, sem complicações para quem deseja guardar dinheiro. Então, as pessoas têm a sensação de que não é preciso entender muito de investimento para lidar com a poupança. Ao lado disso, o fato de poder sacar qualquer quantia a qualquer momento transmite a sensação de segurança ao poupador, ainda mais em momentos de crise como esse que o Brasil vem enfrentando. O problema é que o valor reservado, mesmo aumentando nominalmente, nem sempre supera a taxa de inflação. Então esse conservadorismo, na verdade, acaba sendo prejudicial para o bolso. O certo é sempre estar por dentro dos indicadores e das taxas de juros, bem como do cenário econômico como um todo, para escolher com sabedoria o melhor tipo de investimento”.
Quatro em cada dez respondentes preferiram não dizer o valor da reserva financeira que possuem hoje (38,3%), ao passo em que outros 24,1% não souberam informar a quantia. 37,6% informaram o valor, sendo que, 17,2% guardam até R$ 500,00, com destaque nas classes C, D e E (20,7%) e 8,1% até R$ 5.000.
Finalmente, seis em cada dez brasileiros com reservas financeira tiveram de dispor de seus recursos nos últimos três meses (63,2%, aumentando para 69,2% na Classe C/D/E), sendo que 21,7% precisaram usar por causa de um imprevisto (aumentando para 25,0% na Classe C/D/E), 16,6% para pagar dívidas, 12,7% para realizar uma compra e 12,1% para conseguir fechar as contas do mês.
Fonte: Investidor

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