
Tranquilidade financeira
Situações inesperadas acontecem. Desemprego, perdas patrimoniais, e problemas de saúde são alguns exemplos. O que todas têm em comum é que, quando ocorrem, têm potencial para desestabilizar completamente a vida financeira de uma família.
Não é difícil imaginar as possíveis consequências em nossas vidas se uma situação inesperada acontecer e não estivermos preparados para enfrentá-la. Imagine, por exemplo, que você ou algum familiar tenha um problema de saúde e descobre que precisará se submeter a um procedimento não coberto pelo plano de saúde. Nesses casos, para conseguir o tratamento, se você não dispuser dos recursos para tanto, precisará contar com a ajuda de amigos e/ou familiares, ou terá que recorrer a empréstimos. Nessa hipótese, dependendo do valor, você terá que arcar com um financiamento não programado durante um tempo, desestruturando o orçamento e os demais planos da família. Isso sem falar no pagamento dos juros.
Em outro exemplo, em uma situação de desemprego, se não houver recursos disponíveis, é provável que a família, para conseguir honrar com as despesas mais básicas da casa, tenha que contar com a ajuda de terceiros ou acumular dívidas, sentindo assim todos os efeitos negativos que daí surgem.
Ter uma vida financeira tranquila significa ser capaz de passar por situações adversas ou enfrentar choques inesperados, sem que isso coloque em risco a vida financeira, ou seja, sem que isso tire a tranquilidade financeira da família.
Na prática, há diferentes formas de conquistar a tranquilidade financeira. Uma delas é por meio da contratação de seguros, sejam eles de caráter pessoal ou patrimonial, como os seguros de vida, seguros residenciais e os seguros de automóveis.
Entretanto os seguros não são eficazes para quaisquer situações. Para certos casos eles nem existem. Por isso, outra forma de conquistar a tranquilidade financeira é possuir uma reserva, um determinado montante financeiro guardado, que pode ser utilizado em momentos adversos, para não desequilibrar a vida financeira pessoal. A essa reserva dá-se o nome de reserva para emergências.
Reserva para emergências
A reserva para emergências é o montante que as famílias têm a sua disposição, para utilizar em uma situação inesperada, não planejada, de forma que consigam passar por esse período com relativa tranquilidade financeira, sem colocar em risco a sua vida financeira.
Quanto preciso?
Quanto preciso ter guardado na minha reserva para emergências? Essa é a primeira pergunta que precisa ser respondida. Na teoria, não existe uma regra ou fórmula fechada para determinar o montante ideal que deve compor essa reserva.
Na prática, uma regra de bolso muito utilizada é acumular um montante que seja igual à soma de seis a doze meses do custo de vida da família. O valor exato vai depender do tipo de emprego, do modelo de remuneração, das características e do perfil da família, entre outros pontos.
Em alguns casos, o estilo de vida das famílias incluem despesas não essenciais que podem ser “cortadas” temporariamente em caso de necessidade. Por isso, diz-se, para fins de cálculo do montante necessário para a reserva para emergências, que se pode considerar apenas o custo de vida, ou seja, aquilo que é essencial para a família. No entanto, o cálculo que considera o valor total de despesas ou mesmo a renda é sempre mais prudente.
Por exemplo: uma família composta por um casal sem filhos (família 01), em que os dois trabalhem em um emprego estável, com renda similar, e com remuneração fixa, pode precisar de uma reserva equivalente a 06 meses de seu custo de vida; por outro lado, uma família formada por um casal com um filho (família 02), em que apenas o homem trabalhe em um emprego instável, e em que a maior parte da remuneração seja variável, pode precisar de um montante igual a 12 meses de seu custo de vida.
Assim, quanto mais estável for o emprego e a renda, quanto mais pessoas colaborarem para prover a casa, e quanto menos risco houver, considerando a probabilidade de ocorrência de choques inesperados, menor poderá ser o montante acumulado na reserva para emergências como proporção da renda da família.
Considerando os exemplos acima colocados, a tabela abaixo descreve o valor que cada uma das famílias precisaria ter acumulado em sua reserva para emergências. A coluna Reservas/CV representa a proporção do montante acumulado em relação ao custo de vida da família em número de meses.
Família 01
Custo de Vida = R$ 2.300,00
Reservas/CV = 6 meses
Quanto precisa? = R$ 13.800,00
Família 02
Custo de Vida = R$ 2.300,00
Reservas/CV = 12 meses
Quanto precisa? = R$ 27.600,00
Como formar a reserva para emergências?
Calculado o montante necessário que deve compor a reserva para emergências, é preciso programar como formar essa reserva. Na prática, a solução é poupar. O quanto e por quanto tempo cabe a cada um definir.
Embora não seja um consenso, é comum aceitar que a tranquilidade financeira venha em primeiro lugar, até porque segurança e tranquilidade são necessidades humanas, e a área financeira deve contribuir para isso.
Nesse sentido, uma sugestão é começar a formar a reserva para emergências antes das demais (que ainda serão tratadas aqui). Uma das possibilidades é direcionar durante um período toda a capacidade de reservas financeiras para o “pote” das emergências. Pode-se, inclusive, utilizar para isso recursos extras recebidos como 13º salário, férias e outras rendas extras.
É muito importante investir de forma consciente e planejada o dinheiro guardado. No caso da reserva para emergências, sugere-se que esse recurso seja investido em opções de investimento líquidas e de baixo risco.
Fonte: INVESTIDOR.GOV
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