Controle Financeiro: Objetivos de vida

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Objetivos de vida

Outro aspecto fundamental do bem-estar financeiro tem relação com os objetivos de vida. Todos têm sonhos e objetivos que desejam conquistar em suas vidas. Uma educação de qualidade, a compra, troca ou reforma da casa própria, viagens, compra ou troca do carro, entre outros.


Para os fins deste curso, os objetivos de vida são restritos àqueles que de alguma forma dependem de uma organização das finanças pessoais para serem conquistados. Sabe-se, evidentemente, que há inúmeros objetivos de vida, sejam relacionados à família, à vida social ou outros, e que independem da vida financeira. 

E o que tudo isso tem em comum? Bom, para toda essa lista de desejos é necessário dinheiro. E na maior parte das vezes uma quantia significativa de dinheiro. Nesses casos há duas possibilidades: comprar e depois pagar, utilizando assim as opções de crédito e financiamento disponíveis no mercado; ou poupar para depois comprar, utilizando as opções de investimentos. 


A opção de poupar para depois comprar tende a ser financeiramente melhor. Vejam o seguinte caso: um carro é ofertado por R$ 40.000,00, sendo uma entrada de R$ 20.000,00 e 48 parcelas de R$ 599,00. Sabe-se que esse mesmo carro pode ser negociado para compra à vista no valor de R$ 37.500,00. 

Essa operação envolve uma taxa de juros efetiva de 2,24% ao mês. Os que optam por esse caminho pagarão o montante total de R$ 48.752,00. Ou seja, R$ 11.252,00 de juros, se comparados com o valor à vista do carro.

Para os que optam por esperar, uma possibilidade é aplicar R$ 20.000,00, equivalente ao valor da entrada, e todo mês investir R$ 599,00, como se fosse o valor da prestação. Nessa hipótese, considerando uma taxa de juros de mercado de 0,64% ao mês para opções de investimento pouco arriscadas , duas análises podem ser feitas:  


Quem opta por esperar consegue comprar o carro à vista em um prazo de pouco menos de 22 meses e meio, e a partir daí, ou seja, nos quase 26 meses seguintes, não teria mais parcelas a pagar.

Quem opta por esperar, se aguardar o prazo de 48 meses, ao final terá acumulado o montante de pouco mais de R$ 60.000,00. Nesse momento, conseguiria comprar seu carro zero à vista e ainda teria uma sobra de reserva para direcionar para outros propósitos. 

É claro que uma análise mais completa dessa decisão precisaria considerar a inflação no período, ainda mais quando o prazo é longo. E também as despesas relacionadas a ter ou não ter o carro ou qualquer que seja o produto em questão. 


Inflação é o aumento persistente e generalizado dos preços em uma economia. Na prática “sentimos” a inflação ao notar que os produtos e serviços que consumimos no dia a dia ficam mais caros a cada ano. 

Para os fins deste curso, o relevante é entender que a opção por comprar para depois pagar tem um custo, que é cobrado na forma de juros. Ao contrário, quem opta por poupar para depois comprar tem um prêmio, que é recebido na forma de juros. 

Percebam que quem opta por guardar para depois comprar recebe juros e não paga. Por essa razão, essa opção tende a ser mais vantajosa financeiramente. O ponto chave aqui é a paciência. 

Juros é o montante que se recebe como remuneração por emprestar dinheiro. Ou, na outra ponta, é o montante que se paga como rendimento por pegar dinheiro emprestado. Na prática, quando se compra um bem financiado ou quando se pega um empréstimo, o valor total pago é superior ao valor do bem ou do empréstimo feito. A diferença é o valor dos juros. O montante dos juros depende do valor financiado ou do valor do empréstimo. Por isso, em geral utiliza-se um número relativo, uma taxa, chamada de taxa de juros. 


O interessante é que o impacto no bem-estar financeiro não é apenas quando se atinge um determinado objetivo. Claro que conquistar algo que se deseja é sempre bom, mas no geral simplesmente sentir que se está no caminho para conquistar os objetivos já é por si só suficiente para nos sentirmos bem.

Isso é relevante na nossa vida financeira, porque muitas vezes desejamos algo e, sem paciência, nos precipitamos em comprá-lo. Imaginamos que a posse imediata do bem é o mais importante, mas isso não é necessariamente verdade. Uma alternativa é ter um plano factível para conquistar o que desejamos.

Sonhos x Objetivos

Sonhos estão apenas em nossas cabeças, são abstratos, parecem distantes. Objetivos estão no papel, são programados, concretos, parecem palpáveis. Os sonhos são bons, mas é importante saber criticá-los e transformá-los em objetivos. O primeiro passo é refletir sobre eles. 

Faça uma lista dos seus sonhos e desejos e então reflita sobre as questões a seguir:

1 - O que deseja realmente importa para você e para a sua família?

Reflita sobre o que você e a sua família gostam de fazer. Tente se recordar do que fez ontem, semana passada, mês passado ou nos anos passados. O que marcou vocês, sobre o que conversam até hoje e sentem falta? Observem o dia a dia de vocês, o que costuma lhes trazer satisfação? 

Feito isso, leiam a lista de sonhos e desejos e pensem juntos sobre quais deles têm de fato relação com o que gostam ou gostariam de fazer. É interessante notar nesse momento como alguns sonhos podem não ser tão relevantes. O mais indicado é incluir em sua lista de objetivos apenas o que lhe parecer realmente significante.

2 - Considere a sua situação atual e o seu momento de vida.

É importante respeitar o seu momento de vida, o que inclui não somente o lado financeiro, como também a fase do ciclo de vida em que está. 

Nesse sentido, se um determinado objetivo lhe parecer distante financeiramente, pelo menos no presente, ou se para conquistá-lo for necessário sacrificar outros também importantes: faça uma reflexão e, se achar válido, considere colocá-lo como um objetivo de mais longo prazo; ou deixe-o em uma lista de espera. Em regra, a maior parte das pessoas não pode ter tudo o que deseja. 


Da mesma forma, tente priorizar objetivos mais relevantes para a fase do ciclo de vida em que está vivendo. Se é jovem planejando casar ou ter filhos, talvez o objetivo de ter um carro zero mais moderno, por exemplo, possa ser inserido em uma lista futura, deixando espaço para outros objetivos mais importantes no presente. 

Concretizando objetivos

O próximo passo é aos poucos concretizar os seus objetivos, transformá-los em realidade. Para isso, primeiro priorize a sua lista. De tudo que considera relevante, após respondidas as questões do tópico anterior, o que quer e pode fazer? Defina então os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. 

Nesse passo, muitos se perguntam o que é considerado curto, médio e longo prazo. Embora não seja um consenso, pode-se imaginar curto prazo aquilo que pretendemos conquistar em um prazo de no máximo 01 a 02 anos. Médio prazo então é o que passar disso e até uns 05 a 07 anos. Acima disso, já se pode considerar longo prazo.

Mas não basta conhecer e priorizar os nossos objetivos. Temos que ter um plano claro e palpável para conquistá-los. Nesse sentido, o caminho mais eficaz é definir quanto custa cada objetivo, o prazo no qual se pretende alcançá-lo e então identificar a fonte de recursos ou a reserva financeira que será destinada para esse fim. Na prática, para concretizarmos nossos objetivos é preciso ter um plano com respostas para as seguintes questões: 

O que queremos?; Quanto Custa?; Quando?; Que Recursos Posso Utilizar.

Nesse processo, alguns cuidados são importantes. Primeiro, com relação ao quanto custa os nossos desejos, deve-se atentar para a variabilidade do preço do produto ou serviço que se deseja conquistar. Imagine, por exemplo, que um dos seus objetivos é fazer uma viagem para os Estados Unidos daqui a um ano. Suponha que hoje você faz uma cotação da viagem completa e chega ao valor de US$ 3.000,00 (três mil dólares). Se a cotação do dólar for R$ 3,00/US$, então o valor em reais é R$ 9.000,00 (nove mil reais). Se você pretende pagar a viagem apenas na data em que for realizá-la, veja no quadro abaixo, algumas possibilidades.
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Cenário 01 
Valor em dólares = US$ 3.000,00 
Cotação do dólar = R$ 2,70/US$ 
Valor em reais = R$ 8.100,00

Cenário 02 
Valor em dólares = US$ 3.000,00 
Cotação do dólar = R$ 3,00/US$ 
Valor em reais = R$ 9.000,00

Cenário 03 
Valor em dólares = US$ 3.000,00 
Cotação do dólar = R$ 3,30/US$ 
Valor em reais = R$ 9.900,00

Observem que uma coisa é a cotação realizada hoje, outra é a que prevalecerá no momento em que o objetivo for pago. A menos que se pague hoje, existe sempre o risco de mudanças no preço. E isso acontece para praticamente todos os produtos e serviços da economia, incluindo imóveis, móveis, carros, viagens, serviços de educação etc. Portanto, considere em seu planejamento.

No plano para conquistar os seus objetivos considere as variáveis de riscos envolvidas, relacionadas à mudança no valor daquilo que se deseja conquistar, como a inflação, a taxa de câmbio e outros indicadores. Alternativa para minimizar esses riscos é buscar opções de investimento relacionadas a esses indicadores, como forma de proteger pelo menos parte dos recursos que serão utilizados para esse fim. 

Outro ponto relevante diz respeito aos recursos que serão utilizados para o objetivo. A forma mais tradicional é, considerando o valor, o prazo, os riscos envolvidos e as opções de investimento disponíveis, calcular a reserva financeira mensal (ou periódica, conforme a disponibilidade) necessária para acumular o montante desejado. Além disso, pode-se considerar também direcionar rendas extras a receber, 13º salário, férias etc. 



Fonte: INVESTIDOR.GOV    

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