As dimensões dos investimentos


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As dimensões dos investimentos

Importante etapa no processo de tomada de decisão de investimentos é conhecer as dimensões dos investimentos. É entender as principais características que definem um determinado tipo de ativo. 

Em geral, os investimentos podem ser caracterizados por três diferentes atributos: retorno, risco e liquidez (o que também é um risco, mas aqui será tratado de forma separada).


Retorno

Quanto ao retorno, os investimentos podem ser de renda fixa ou renda variável. Nos investimentos de renda fixa, a remuneração, ou sua forma de cálculo, é previamente definida no momento da aplicação. Se o investidor conhece exatamente o valor que receberá no vencimento, o título é chamado de renda fixa pré-fixado. Caso contrário, se apenas a forma de cálculo da remuneração é conhecida, o investimento é de renda fixa pós-fixado. Nesse caso, consegue-se apenas uma estimativa de qual será o valor resgatado no vencimento.


Imagine, por exemplo, que uma hipotética empresa XYZ esteja precisando de recursos e decida procurar investidores interessados em lhe emprestar dinheiro. Para isso, a empresa oferta um título ao preço de R$ 900,00 hoje, que “promete” pagar o valor de R$ 1.000,00 daqui a exatamente um ano. Nesse caso, sabe-se exatamente qual será o valor do título no vencimento, portanto esse título é considerado um investimento de renda fixa pré-fixado. 


Vejam nesse caso, que, sob a perspectiva do investidor, ele investiu hoje R$ 900,00, e sabe exatamente qual o valor, e consequentemente, qual a rentabilidade, 11,11%, que ele terá (caso a empresa honre seu compromisso).  

Em outra hipótese, a empresa poderia ofertar o título hoje por R$ 900,00, se comprometendo a, no vencimento, pagar esse valor atualizado com base em uma determinada taxa de referência do mercado, como a taxa SELIC. A empresa poderia, por exemplo, oferecer aos interessados 50% a mais que a rentabilidade da SELIC no período (150% da taxa SELIC).

As taxas de referências mais utilizadas nos títulos de renda fixa pós-fixados são a SELIC e a DI.

Assim, se a rentabilidade da SELIC no período for de 6%, a empresa pagará pelo título, no vencimento, a taxa de 9%, devolvendo ao investidor o valor de R$ 981,00. Caso a SELIC tenha sido 7%, a rentabilidade do título será de 10,5%, e a empresa pagará pelo título o valor de R$ 994,50.

Observem que não há como saber previamente, a não ser por estimativas, qual será o valor a ser resgatado no vencimento, porque não se sabe de antemão qual será a remuneração da SELIC no período considerado para poder calcular a rentabilidade do título. Trata-se, portanto de um investimento em renda fixa pós-fixado. 


O termo pós-fixado vem justamente do fato de o valor de resgate do título ser definido somente após conhecida a rentabilidade da taxa de referência.

Cabe destacar que existem alguns títulos de renda fixa no mercado que mesclam essas duas formas de remuneração, pré e pós-fixada. Nesse tipo de título, o emissor oferece parte da remuneração atrelada a uma taxa de referência e outra parte fixa. Esse modelo é comum nos títulos indexados à inflação que oferecem o retorno de um índice inflacionário, como o IPCA, e mais uma taxa de juros pré-fixada definida no momento do investimento.

Os investimentos de renda fixa são muito comuns no mercado. Alguns exemplos são: títulos bancários, como o CDB, a LCI e a LCA; títulos públicos, como os negociados no tesouro direto; e títulos de dívida emitidos por companhias, como as debêntures. 

Debêntures: A debênture é um título de crédito privado, um valor mobiliário emitido por sociedades por ações, representativo de dívida, que assegura a seus detentores o direito de crédito contra a companhia emissora.

Em qualquer caso, observe que ao investir em um título de renda fixa, seja ele emitido pelo governo, banco ou outra empresa privada, o investidor está emprestando dinheiro ao emissor do título que, em contrapartida, se compromete a devolvê-lo (denominado “principal”), depois de certo período, acrescido dos juros pactuados (pré ou pós-fixados), como forma de remuneração do empréstimo.

Renda Fixa não significa renda garantida. Assim como em qualquer investimento, sempre existe a possibilidade de perda do capital investido, no todo ou em parte. 

Nos investimentos em títulos de renda variável, por outro lado, o investidor não sabe, de antemão, qual será a rentabilidade da aplicação. Como o nome sugere, em renda variável o retorno é variável, depende de inúmeros fatores. Em um período pode ser positivo, em outro negativo. 


Para esclarecer, imagine que a empresa de nosso exemplo decida por outro modelo de captação de recursos. Em vez de oferecer títulos que representem um empréstimo, ela poderia ofertar ao mercado um título que represente parte de seu patrimônio, como uma proposta de sociedade, de participação. Assim, ela estaria oferecendo aos investidores uma pequena parcela do negócio, com condições específicas, de modo que, se o negócio prosperar e der lucro, os investidores ganhariam uma parcela desse lucro. 

Vejam que, nesse modelo, não há qualquer condição de remuneração e rentabilidade prédefinida para o título. Não se sabe se haverá retorno, nem quando ele ocorrerá. Essa característica é inerente aos investimentos em renda variável.

Ao investir em renda variável, o investidor está aportando recursos em um título patrimonial, e a sua rentabilidade dependerá dos resultados futuros da empresa em que se está investindo. Nesse modelo, a empresa que capta os recursos não tem nenhuma obrigação de devolver ou recomprar o título. No mercado, o exemplo mais conhecido de investimento em renda variável são as ações. 

Ações: Uma ação é a menor parcela do capital social das companhias ou sociedades por ações. É, portanto, um título patrimonial e, como tal, concede aos seus titulares, os acionistas, todos os direitos e deveres de um sócio, no limite das ações possuídas. O acionista participa do lucro da companhia por meio do recebimento de dividendos e de bonificações.


Risco

“ Não há investimento sem risco. ” 

Nem sempre o retorno que se espera conseguir em um investimento será de fato alcançado. No momento de fazer uma aplicação tem-se apenas uma expectativa da sua rentabilidade, conhecida no mercado como retorno esperado do investimento. É o quanto se espera ganhar ao investir em determinado ativo. Porém, somente com o passar do tempo, no momento do resgate da aplicação, é que se conhecerá exatamente qual foi o retorno obtido. 

Quando falamos em investimentos de renda variável isso é simples de perceber. Mas isso ocorre inclusive em investimentos de renda fixa. No exemplo da empresa XYZ, não há nada que garanta que o título de renda fixa pré-fixado será realmente pago na integralidade no vencimento. E se a empresa não tiver recursos para honrar o compromisso? Além disso, e se antes do vencimento o investidor tiver interesse em se desfazer do investimento? A empresa aceitará resgate antecipado? Haverá outros investidores interessados em negociar o título? Será fácil vendê-lo? A qual preço? 


Portanto, sempre há alguma incerteza em relação ao retorno dos investimentos. Risco pode ser considerado como a medida dessa incerteza. Ou seja, risco em finanças pode ser entendido como a chance de o retorno obtido em um investimento ser diferente do esperado. Essa diferença pode ocorrer por diversos motivos, razão pela qual é costume classificar os diferentes tipos de risco em: risco de mercado; risco de crédito; riscos operacionais e legais, além do risco de liquidez que trataremos neste curso em tópico específico. 

Risco de Mercado

O risco de mercado está relacionado com a oscilação do preço dos ativos. Decorre de condições econômicas, como o PIB, a taxa de desemprego, a renda, a inflação, os juros, o câmbio, de questões políticas e de confiança, e também de aspectos inerentes ao próprio negócio ou ao segmento em que se está investindo. Todos esses fatores possuem estreita relação com a formação de preços dos ativos de investimentos, de maneira que variações neles, ou em suas expectativas, provocam oscilações no valor dos títulos. 

Em geral, os ativos de renda variável são os que apresentam maior risco de mercado, seguidos pelos ativos de renda fixa pré-fixados e então pelos pós-fixados.

Risco de crédito

Mas o risco de mercado não deve ser o único ponto de atenção dos investidores. É preciso lembrar que o investimento em títulos de dívida representa um empréstimo. Ou seja, na prática o investidor empresta uma quantia hoje ao emissor do título, que se compromete a devolvê-lo em determinada data, conforme as condições estabelecidas. 

Mas pode acontecer de o emissor, por alguma razão, não honrar a sua dívida com o investidor. Portanto, sempre existe o risco de o tomador da dívida, o emissor do título, não pagar ao investidor os juros combinados ou mesmo parte ou o total da dívida. Esse risco é chamado de risco de crédito. 


No exemplo da empresa XYZ, em qualquer dos dois casos de emissão de títulos de renda fixa, a empresa poderia no vencimento alegar falta de caixa para honrar seus compromissos e então renegociar prazos e valores. 

Durante uma crise econômica, por exemplo, algumas empresas podem ser ver diante de uma redução muito forte nas receitas, de forma que, sem condições de reduzir proporcionalmente os custos, passem por um período de aperto financeiro, de modo a não conseguir cumprir com todas as dívidas. 

Além disso, questões setoriais, relacionadas à concorrência, produtos e novas tecnologias, ou mesmo questões internas como má-gestão, também podem provocar situação similar. 


No mercado financeiro, existem as chamadas agências de classificação de risco de crédito (ou simplesmente agências de rating), que analisam e classificam as empresas, ou mesmo os países, de acordo com o risco de não pagarem as suas dívidas no prazo determinado. Quanto maior a probabilidade de não pagamento, pior a classificação. Cada agência utiliza a sua própria simbologia, mas em geral se utilizam as letras A, B, C e D para representar a escala de probabilidade, sendo a letra A, a melhor classificação. 

Antes de investir em títulos de dívida, o investidor deve sempre estar atento à capacidade de pagamento do emissor. 

Risco Legal e Operacional

O risco legal, como o nome sugere, tem relação com possíveis questões legais que podem causar problemas no cumprimento das condições pactuadas. Defeitos jurídicos, por exemplo, que impeçam ou dificultem o exercício dos direitos estabelecidos nos títulos ou contratos, permitindo ao devedor ou tomador não honrar as obrigações assumidas. 

Lembre-se, os emissores e as ofertas de investimentos em valores mobiliários são regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Para reduzir o risco legal é fundamental investir somente em empresas e ofertas autorizadas e/ ou registradas na CVM.

O risco operacional, por sua vez, reflete possíveis falhas em equipamentos, sistemas, ou mesmo humanas que possam colocar em risco o controle e o gerenciamento das negociações, custódia e/ou liquidação dos títulos adquiridos ou vendidos.

Liquidez

Liquidez em finanças pode ser entendida como a facilidade com que determinado ativo pode ser convertido em moeda (vendido) a um preço justo. 

Pense por exemplo em um empresário sócio de uma padaria. Se ele desejar vender a sua parte no negócio, será que ele conseguiria negociar rápido? E a um preço justo? A mesma pergunta pode ser feita para um imóvel. Claro, há exceções, mas em geral, uma negociação dessas pode demorar meses, ou até anos. 


Portanto, quanto mais fácil for resgatar o investimento ao seu valor justo, maior será a liquidez do investimento. Ora, pensar na liquidez no momento de investir é muito importante, porque alguns objetivos exigem que o dinheiro esteja disponível para o investidor. Ou seja, os investidores podem precisar se desfazer do seu investimento em algum momento. Nesses casos, se o dinheiro estiver aplicado em um investimento sem liquidez, o investidor ou não conseguirá levantar os recursos necessários ou precisará vendê-lo a um preço abaixo do seu valor justo. 

Nos investimentos de renda variável, essa característica é manifesta, uma vez que os emissores não assumem a obrigação de recomprar ou resgatar o título. Assim, é importante se preocupar em como “sair” do investimento caso surja a necessidade. 

No caso das ações de companhias abertas, os investidores podem negociar na bolsa de valores, por intermédio das corretoras. Nesses casos, a liquidez é determinada pelo volume de ofertas de compra e venda da ação. Quando o volume de ofertas diárias é alto, os valores negociados tendem a estar próximos do valor justo da ação. Caso contrário, a falta de ofertas pode fazer com que os valores se desviem significativamente do seu valor justo. O mesmo acontece com os Fundos Imobiliários negociados em bolsa de valores.


Fundos Imobiliários: Fundos Imobiliários (FII) são fundos de investimento destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários, o que inclui, além da aquisição de direitos reais sobre bens imóveis, o investimento em títulos relacionados ao mercado imobiliário, como letras de crédito imobiliário (LCI), letras hipotecárias (LH), cotas de outros FII, certificados de potencial adicional de construção, (CEPAC), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), e outros previstos na regulamentação. 

Mesmo nos títulos de renda fixa, a liquidez é fator importante. Afinal, no período compreendido entre a data da aplicação e a do vencimento, o investidor pode se interessar ou precisar vender o seu título. 

No caso da caderneta de poupança, o investidor pode resgatar o valor a qualquer momento, sem perdas, embora fique sem a rentabilidade do mês, caso resgate antes do dia do aniversário. Já nos CDBs, a liquidez vai depender das condições estabelecidas pelo banco emissor. Em alguns, é diária, já em outros há carência (prazo mínimo de permanência). Esses fatores em geral dependem da rentabilidade negociada. O mesmo acontece com as LCIs e LCAs, que têm prazo mínimo de vencimento. 

Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto têm recompra diária garantida pelo Tesouro. Mas atenção! Os títulos são recomprados a valor de mercado. Isso significa que se as condições da economia mudam, em especial as taxas de juros, os preços dos títulos variam, em especial os títulos pré-fixados e os indexados à inflação. 

A relação risco x retorno

Uma questão importante a ser discutida é se existe alguma relação entre o risco e o retorno esperado de um investimento. Nesse sentido, imagine que existam apenas dois tipos de investimento disponíveis no mercado, A e B. Suponha que ambos apresentem exatamente o mesmo risco, porém o retorno esperado do ativo A é maior do que o do B. Sob essas hipóteses, espera-se, evidentemente, que todos invistam no título A. Afinal, não faria sentido alguém investir no B, se o risco é o mesmo e a rentabilidade é menor. 

Dessa forma, a alta demanda pelo título A faria com que, aos poucos, a sua rentabilidade caísse, enquanto a baixa demanda pelo ativo B faria com que a sua rentabilidade aumentasse, até que se atingisse um ponto de equilíbrio. Fenômeno similar ocorre com títulos que possuem diferentes níveis de risco. 

O que acontece, na prática, é que, quanto maior for o risco de um investimento, maior deverá ser o seu retorno esperado. Ou, de outra forma, quanto maior o retorno esperado de um investimento, maior, provavelmente, será o seu risco.

Essa relação direta entre risco e retorno nos investimentos é uma máxima do mercado financeiro, de forma que, sempre que há percepção de desvio nas condições de risco e retorno esperado de um ativo, o seu preço tende a se ajustar. 

Quando for investir procure sempre analisar o retorno e o risco conjuntamente. A análise apenas do retorno pode levá-lo a realizar investimentos com risco superior ao que estaria disposto a correr. E desconfie sempre de investimentos que prometam retornos milagrosos ou muito fora da realidade do mercado, pois os riscos inerentes podem ser muito altos. Em alguns casos, podem ser até mesmo uma fraude.

Lembre-se: Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

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