
Por que fazer?
Se lhe perguntarem quanto você gastou no mês passado com compras de mercado, você saberia responder? Muitos dizem que sim, e respondem “de cabeça”, mesmo sem ter qualquer registro. De fato, a maioria das pessoas faz uso de uma espécie de “contabilidade mental” para registrar, organizar e avaliar decisões financeiras. Mas guardar “de cabeça” inúmeros gastos, realizados ao longo de dias, e em geral com diferentes meios de pagamento, pode “pregar algumas peças”.
Na maior parte dos casos, as respostas “de cabeça” tendem a subestimar os valores, porque as pequenas despesas diárias acabam sendo desconsideradas. Assim, quando o registro é feito durante um período, ao comparar os valores, surge a surpresa com a diferença entre a contabilidade real e a mental. É a sensação do tipo: “Meus Deus! Não imaginava que gastasse tanto com compras de mercado”.
Portanto, o hábito de registrar as receitas e as despesas traz a família para a realidade, e garante que ela conheça exatamente o quanto ela está gastando em cada tipo de despesa, que é o primeiro passo para o controle.
Anote agora o valor que você imagina que seja o gasto total de compras de mercado, no período de um mês, da sua família. No início do mês, comece então a anotar as suas despesas toda vez que for ao mercado, à padaria, açougue, feiras etc. Não se esqueça das despesas pequenas. Faça isso independente da forma de pagamento. Ao final do mês, some tudo e compare.
Além disso, o hábito de registrar as despesas ajuda as famílias a analisarem o como estão gastando o seu dinheiro, ou, em outras palavras, de que forma os seus ganhos estão sendo distribuídos entre as diferentes categorias de despesa. Isso é importante porque cada categoria traz certa utilidade, ou bem estar para a família. O que tem mais valor, consumir luz, gás, compras de mercado ou lazer?
O registro das despesas permite a comparação desses gastos, para que se possa avaliar possibilidades de melhoria. Por exemplo, uma família, ao anotar todas as despesas da casa, pode identificar que está gastando muito com alimentação e pouco com lazer, e então estabelecer metas para reduzir gastos com as compras de mercado, para poder usufruir mais lazer. Vejam que, por enquanto, não se fala em poupar, mas sim em economizar em uma categoria de despesa que gera pouca utilidade, para, se assim desejar, utilizar em outra que proporciona mais bem-estar.
Poupar e economizar são conceitos diferentes. Economizar é buscar meios de evitar, reduzir ou eliminar gastos. Poupar é guardar o dinheiro economizado para uso futuro.
Reflita com a sua família: quais hábitos lhes tornam mais felizes? Quais categorias de despesas estão relacionadas a estes hábitos? Você acredita que, no dia a dia, as suas decisões de consumo privilegiam esses hábitos ou os prejudica?
Por fi m, mas igualmente importante, é conhecer o resultado financeiro. Quando os ganhos e os gastos são registrados, ao fechar as contas do mês, a família pode se ver diante de três possíveis situações: pode estar gastando mais do que ganha; pode estar gastando toda a renda; ou pode estar poupando. Assim, o hábito de registrar as despesas e receitas permite que as famílias visualizem se estão vivendo dentro de suas possibilidades.
Resultado deficitário
Conceito: O chamado fluxo de caixa deficitário ocorre quando o total das despesas de um determinado período supera o total das receitas.
O resultado deficitário acontece quando os ganhos da família em um determinado período não são suficientes para cobrir as suas despesas, incluindo aí empréstimos e financiamentos já contratados. Na prática diz-se que a família está gastando mais do que ganha, está vivendo acima de suas possibilidades, ou que as contas estão no “vermelho”.
Quando uma família identifica essa situação é muito importante que tome providências imediatas a respeito, para estancar o problema. Isso porque nada é de graça. O valor gasto a mais sempre deve ser pago de alguma maneira. Ou se utiliza alguma reserva financeira, caso em que a família deixa de ganhar juros e acaba prejudicando um objetivo planejado, ou, o que é mais comum, ela acaba recorrendo a opções de crédito rápidas, normalmente mais caras, como o cheque especial, o rotativo do cartão de crédito etc. Dessa forma, os empréstimos continuam a crescer e a consumir parte cada vez maior da renda, dificultando ainda mais o controle financeiro e os objetivos de vida.
Resultado neutro
Conceito: O fluxo de caixa é considerado neutro quando o total das despesas de um determinado período é exatamente igual ao total das receitas.
Outro resultado possível é a receita da família ser exatamente sufi ciente para pagar as despesas do período, no limite. Nesse caso, o montante total de receitas é exatamente igual ao total de despesas, incluindo os empréstimos e financiamentos. Nesse caso dizemos que as finanças da família estão equilibradas ou que estão vivendo no limite da sua disponibilidade.
Embora, nesse caso, seja possível honrar os compromissos presentes, nunca se sabe quando podem surgir despesas inesperadas, que poderiam dar início a resultados deficitários e ao endividamento. Além disso, nessa situação a família não consegue poupar e, portanto, não é capaz de construir reservas financeiras. Portanto, é preciso ter muita atenção quando essa for a situação identificada.
Resultado superavitário
Conceito: O fluxo de caixa superavitário é aquele que em que o total das receitas de um determinado período supera o total das despesas.
O resultado é considerado superavitário quando as receitas são sufi cientes para cobrir as despesas, incluindo os empréstimos e financiamentos, e ainda permite a formação de reservas financeiras. No popular, dizemos que é quando sobra dinheiro no final do mês, quando as contas estão no “azul”.
É fácil perceber que, nessa situação, as famílias estão mais preparadas para quaisquer despesas inesperadas, ou mesmo para aquelas desejadas “extrapolias”, e ainda são capazes de poupar. Portanto, não há dúvidas de que essa deve ser a situação perseguida por todos. E o primeiro passo para isso é conhecer exatamente qual a sua situação. Portanto, comece já!
Fonte: INVESTIDOR.GOV
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